29 março, 2017

Sinto te



Esta sede que me invade o corpo, que me atrofia os movimentos, este cabo das tormentas que atravesso a nado sem saber o que na margem de lá me espera. 
Este rodopiar de sensações que trago à flor da pele por te querer sempre aqui, nesta urgência incansável e tao pouco insaciável.
É nestas paredes do imaginário que me desunho em sentidos, que me permito sentir te em mim.
Sem saber, porém, se me sentes por aí. 

Súplica


Vem rastejar que te faz bem
Afoga te em tudo o que de mim queres ter
Deseja os meus lábios inocentes mas sábios na arte de degolar
Aqueles que inventas para ti na perfeição dos teus desejos
Tortura os teus olhos para me veres bem
Adormece os teus sentidos no meu furacão
Implora a noite e o fogo em mim
Sente o céu a rasgar nesta perfeita alucinação de vida 

Dá-te


Dá o que tens e o que não tens.
Dá de corpo e alma.
Dá até nada restar de ti.
Dá até à ínfima gota.
Dá até as pernas perderem a força.
Dá até te renderes.
Dá até à exaustão.
Dá como se respirar dependesse disso.

Dá tudo e dá agora. Sem reservas.
Dá-te!

28 março, 2017

Poison



I will always be the virgin-prostitute, the perverse angel, the two-faced sinister and saintly woman  

Despida


Meu corpo irrequieto sobre o teu balança, o teu toque é agora requisito mínimo para a sobrevivência do meu desejo. Entre o meu corpo despido e o teu, existem duas almas desnudas, desbravando caminhos que conduzem ao inebriante prazer carnal, à intensidade da união além corpo.

27 março, 2017

Sabes me de cor


Ainda nem o céu e a terra tinham sido criados já o teu corpo ansiava o meu. Ainda a língua de Camões não saia suavemente da tua boca, já esta suspirava pela minha. Ainda nem nascida era já a tua alma conhecia os meandros da minha.
Não há nada que a eternidade faça desaparecer quando nos foi cravado na pele, nas catacumbas do nosso ser.