12 abril, 2017

Tempo


Há quem perca tempo, quem perca noção do tempo, há quem inclusivamente me faça perder a noção do mesmo. Perco me em pensamentos, perco me dentro de mim, perco me no meio de um "nós". Perco me vezes sem conta porque gosto do reencontro, comigo, com o Mundo.
Sou mulher para perder tempo, perco o em inutilidades, perco o porque quero, perco o com quem quero, e como quero. Ou acho que quero. Perco tempo a olhar para dentro de mim, perco tempo a observar o que me rodeia. A estudar movimentos. A interiorizar gestos. Perco me em ti pois idealizei ser a única forma de não me perder de mim.
Perco tempo até achar que o devo perder, gasto me em palavras com quem e para quem, sinta que as precise, que as mereça.
Mas não perco tempo em vão. Nunca. O tempo é demasiadamente caro para que lhe possa atribuir um valor. É meu, e ofereço o a quem eu quiser, só não gosto que me façam perder tempo...

Metamórphosis


Acorrentada ao teu corpo, viciada nas tuas mãos, na complexidade com que me tocam. Afogada em tentação. 
Em delírio constante, que me chega em forma de flashes da tua pele na minha, dos fluidos do teu corpo a impregnarem se nos meus, sem que seja possível formular uma divisão. 
Corpo que lateja a cada investida da tua mente assombrosa sobre a minha. 
Nesta metamorfose de desejos, nesta transformação de sentires perco me em mim, para que me aches em ti. 

Entranhado


Trago o teu cheiro entranhado em mim. Sufoco a cada tentativa de inspiração, sabendo que és apenas tu, o oxigénio que preciso para voltar a libertar um sopro que seja. 
Vagueio por recantos da minha mente onde a tua imagem insiste em viver, aniquilando toda e qualquer memória que outrora tive, de outros cheiros, de outros rostos, de outros toques. 
Sobrevives a todas as intempéries que provoco julgando que consigo afogar entre uma enchorrada de mãos que me tocam e um ciclone de sensações que sinto na pele, todo e qualquer rasto da tua gigantesca presença.
Consome me as entranhas saber te aqui, entre fragmentos de existência da mulher que fui, da mulher que criteriosamente desabitaste, deixando apenas pedaços vãos espalhados no caminho que desbravei de pés descalços.
Ficaste em mim. 
Entranhado. 

11 abril, 2017

Vem


Vem. Encosta me contra a parede mais próxima. 
Deixa a tua mão deslizar pelo meu peito, subindo pelo meu pescoço. 
Arranca me a roupa que incomoda o meu corpo. Solta me. 
Faz me sentir o frio gelado que a parede traz ao meu corpo, arrepiando me. 
Encosta te a mim. Consigo sentir o teu corpo em ascensão, pulsante.
O meu corpo vibra quando os teus lábios tocam a minha pele. 
A tua mão invade me, no meio do calor infernal que emana de mim. Que emana de nós. 
Possui me. 
Entre corpos expectantes, irrequietos, prestes a explodir. 
Corpos que latejam em total descontrolo. Que se rendem um ou outro. Que se rendem à urgência de uma inefável dança que inebria sentidos. 
Que se rendem ao nirvana eminente. 

Recado


10 abril, 2017

Liberdade


Corpo trémulo pela espera de te receber em mim. 
A excitação que me percorre vem acompanhada pela invariável e inevitável adrenalina do teu poder sobre mim.
Entrego me, entregas te. Ao momento. À luxúria exponencialmente aumentada pela vontade irremediável de me tomares, de me consumires. 
A mesma vontade com que me prendes o corpo e me libertas a mente.