20 abril, 2017

Entorna te


Fica. 
Consome cada milímetro do eterno. Sucumbe ás tentações que aprisionas, entorna te em ti. 
Em mim. 
Em nós. 
Liberta essa vontade de viver que tens sempre que em mim morres. 

19 abril, 2017

Declaração de Culpa


Sim pequei!
Prometi não sentir. Prometi que apenas a pele, o sangue que me corre nas veias iriam sentir a tua presença, iriam reagir à tua existência.
Sim cometi delito!
Roubei o que não é meu e transformei-o com as minhas mãos, moldei, fiz com que fosse o que inconscientemente desejava.
Sim destrui!
Derrubei os muros que me cercavam, demoli tudo o que se atravessou à minha frente até chegar até ti, até estar confortavelmente em ti.
Sim invadi!
Não bati à porta. Tirei a chave mestra do bolso, aquele que trago cosido junto ao peito, e sem ser convidada entrei, sentei me e fiquei a assistir à queda a pique dos dois, naquele abismo desejado mas temido.
Sim criei!
Criei uma coisa sem nome, mas que nos dá nome, que nos define. 

-me


Sabes-me
Sentes -me
Queres-me
Vicias-me
Invades-me
Hipnotizas-me
Elevas-me
Consomes-me
Saboreias-me
Preenches-me
Rendo-me
Entrego-me

Antes


Antes dos nossos sexos se darem a conhecer, já a tua boca terá de me saber de cor. Antes de me penetrares terás de ser capaz de me fazer vir no mínimo um par de vezes. Talvez seja o suficiente para que o meu corpo já só consiga proferir o teu nome em chamamentos sôfregos. Será nas curvas do meu corpo em total súplica pelo teu que te perderás. Mas será na minha pele, ainda latejante que quero sentir os fluidos que te levarão a achar te em mim. 

18 abril, 2017

Fico me


Fico. Aqui me tens neste mundo que criámos. 
Neste mundo poeticamente inventado, meticulosamente construído a quatro mãos. Neste espaço que partilhamos, no qual nos partilhamos.
Ficarei onde me queres, onde eu me quero, contigo. Neste submundo onde nos temos, e onde de alguma forma nos pertencemos. 
Não implores pela minha presença, suplica para me sentires em ti, sempre. 
Não há palavras lidas que se comparem ao silêncio perturbador da nossa ausência física, sabendo ainda assim que estamos unidos. 
União essa que faz parecer vã a perpetuação em palavras de algo tão deliciosamente abstrato.

Fico me por aqui, onde me podes ter. Onde nos podemos ter. 
E acima de tudo, onde podemos ser...

União


Pele com pele. 
Sem ar entre nós. 
Sem espaço desaproveitado no meio da nossa união. 
Neste balançar sobre ti, sobre nós, sobre o desejo que nos consome. 
Entre a tesão vertiginosa que em nós explode a cada pulsação. 

17 abril, 2017

Pequeno Sismo


"Há um pequeno sismo em qualquer parte
ao dizeres o meu nome.
Elevas-me à altura da tua boca
lentamente
para não me desfolhares.
Tremo como se tivera
quinze anos e toda a terra
fosse leve.
Ó indizível primavera."


Eugénio de Andrade

16 abril, 2017

Apetite


A minha fome de ti nunca se esgota,
Acumula se...

Renascimento


Pele que desperta com o toque da tua
Desejo que renasce a cada flash
Mente em desassossego que procura a tua
Mãos impacientes que deslizam sobre mim
Sangue que ferve quanto te sinto
Pernas trémulas quando ouvem o teu nome
Loucura que me domina
Carne que anseia a tua sofregamente
De joelhos aos teus pés me tens
Ansiando que me tomes
É adormecida que ando sem ti neste labirinto
És tu que me fazes renascer, como em dia de Páscoa, de corpo e alma.

15 abril, 2017

Was it a Dream?


"Your defenses were on high 
Your walls built deep inside 
Yeah I'm a selfish bastard 
But at least I'm not alone 
 My intentions never change 
What I want, it stays the same 
And I know what I should do 
Its time to set myself on fire"

14 abril, 2017

Desassossego


Trago este desassossego que faz fervilhar o meu sangue. Esta incontrolável vontade de anular sentidos, de me subjugar aos teus quereres.
Trago nas veias o líquido do pecado, na mente a assombração de uma imagem que me instiga à liberdade. Que me faz soltar a parte da minha mente que aprisionei.

13 abril, 2017

Porque é dia do Beijo


Beijar é sentir na pele toda a perplexidade de sentires que por vezes os olhos não conseguem alcançar. É selar uma vontade, perpetuar um desejo. É misturar sabores e criar um novo. É partilha. É intensidade.
Quando duas bocas se encontram, quando duas línguas se entrelaçam, quando a energia de dois corpos colide e faz o relógio parar.
Um místico sabor entre a tentação e a explosão de corpos em antecipação. Na expectativa do depois. Na véspera do descontrole.
Entre duas bocas que se unem existe um sem número de prazeres que se diluem.
Entre um beijo e outro existem corpos em constante e continua erupção.
O beijo é a porta de entrada para a irremediável e muitas vezes inadiável, entrega.

12 abril, 2017

Tempo


Há quem perca tempo, quem perca noção do tempo, há quem inclusivamente me faça perder a noção do mesmo. Perco me em pensamentos, perco me dentro de mim, perco me no meio de um "nós". Perco me vezes sem conta porque gosto do reencontro, comigo, com o Mundo.
Sou mulher para perder tempo, perco o em inutilidades, perco o porque quero, perco o com quem quero, e como quero. Ou acho que quero. Perco tempo a olhar para dentro de mim, perco tempo a observar o que me rodeia. A estudar movimentos. A interiorizar gestos. Perco me em ti pois idealizei ser a única forma de não me perder de mim.
Perco tempo até achar que o devo perder, gasto me em palavras com quem e para quem, sinta que as precise, que as mereça.
Mas não perco tempo em vão. Nunca. O tempo é demasiadamente caro para que lhe possa atribuir um valor. É meu, e ofereço o a quem eu quiser, só não gosto que me façam perder tempo...

Metamórphosis


Acorrentada ao teu corpo, viciada nas tuas mãos, na complexidade com que me tocam. Afogada em tentação. 
Em delírio constante, que me chega em forma de flashes da tua pele na minha, dos fluidos do teu corpo a impregnarem se nos meus, sem que seja possível formular uma divisão. 
Corpo que lateja a cada investida da tua mente assombrosa sobre a minha. 
Nesta metamorfose de desejos, nesta transformação de sentires perco me em mim, para que me aches em ti. 

Entranhado


Trago o teu cheiro entranhado em mim. Sufoco a cada tentativa de inspiração, sabendo que és apenas tu, o oxigénio que preciso para voltar a libertar um sopro que seja. 
Vagueio por recantos da minha mente onde a tua imagem insiste em viver, aniquilando toda e qualquer memória que outrora tive, de outros cheiros, de outros rostos, de outros toques. 
Sobrevives a todas as intempéries que provoco julgando que consigo afogar entre uma enchorrada de mãos que me tocam e um ciclone de sensações que sinto na pele, todo e qualquer rasto da tua gigantesca presença.
Consome me as entranhas saber te aqui, entre fragmentos de existência da mulher que fui, da mulher que criteriosamente desabitaste, deixando apenas pedaços vãos espalhados no caminho que desbravei de pés descalços.
Ficaste em mim. 
Entranhado. 

11 abril, 2017

Vem


Vem. Encosta me contra a parede mais próxima. 
Deixa a tua mão deslizar pelo meu peito, subindo pelo meu pescoço. 
Arranca me a roupa que incomoda o meu corpo. Solta me. 
Faz me sentir o frio gelado que a parede traz ao meu corpo, arrepiando me. 
Encosta te a mim. Consigo sentir o teu corpo em ascensão, pulsante.
O meu corpo vibra quando os teus lábios tocam a minha pele. 
A tua mão invade me, no meio do calor infernal que emana de mim. Que emana de nós. 
Possui me. 
Entre corpos expectantes, irrequietos, prestes a explodir. 
Corpos que latejam em total descontrolo. Que se rendem um ou outro. Que se rendem à urgência de uma inefável dança que inebria sentidos. 
Que se rendem ao nirvana eminente. 

Recado


10 abril, 2017

Liberdade


Corpo trémulo pela espera de te receber em mim. 
A excitação que me percorre vem acompanhada pela invariável e inevitável adrenalina do teu poder sobre mim.
Entrego me, entregas te. Ao momento. À luxúria exponencialmente aumentada pela vontade irremediável de me tomares, de me consumires. 
A mesma vontade com que me prendes o corpo e me libertas a mente.

Demónios


Acredito que existe amor entre demónios.
Acredito que muito daquilo que nos une aos outros é a luz que ainda consegue espreitar por fendas existentes nas caixas em que guardamos os fantasmas.
Acredito que todos procuramos alguém para nos sarar os cortes profundos, lamber as feridas e arrancar um a um os pregos que mantêm a caixa segura.
Acredito que demónios que se completam, são demónios terapêuticos. Demónios com poder de cura.
Acredito em demónios que se atraem, caso contrário os meus demónios nunca teriam cruzado os teus.

Assombração


Aconteça o que acontecer connosco o teu corpo vai sempre assombrar o meu. 
O meu peito vai sempre reagir ao sopro da tua voz junto da minha pele. 
Nesta inquietude que me leva à loucura. Neste limbo entre o meu corpo em êxtase e a minha mente sã. 
Entre o soltar de amarras e os pés que me prendem à terra. 
Entre a fome de ti que me consome e a certeza que me deixarás sempre em pedaços.