22 abril, 2017

Em estado Catatónico


Deambulo me por este chão onde firmo os meus pés, o mesmo que me levita o corpo, em puro estado catatónico.
Passiva nas minhas não ações, imóvel entre olhares que me cruzam e nada me despertam. A inércia apoderou se do meu corpo, outrora consumido pela exuberância do teu existir.
Sinto te ao longe. Consigo inalar o cheiro que emana do teu corpo. A minha pele sente o conforto do teu toque. Mas ainda assim, estás ali, ao longe, onde a minha mão não te consegue alcançar.
Todo o meu corpo reage á luxúria que a tua memória me trás, invadido por uma onda de choque que me desperta e vulcaniza de imediato.
Neste estado apocalíptico, as pernas trémulas cedem. Aqui me tens, inerte, em estado puro, despida de tudo o que nos ultrapassa, rendida de joelhos aos teus pés. 

Escondido


As coisas que escondemos nas catacumbas do coração, comem nos vivos.
Somos os arquitectos da nossa própria destruição. 

21 abril, 2017

Purgatório


És vício. És pecado. És meu.
És vício quando já nada me satisfaz tanto quanto o teu nome a preencher me os lábios.
És pecado quando é no teu corpo sob o meu que nasce e morre a palavra sagrada que nos une em total e divino nirvana.
És meu sempre que te esqueces das horas e as deixas livremente vaguear sobre nós em memórias antecipadas na dúvida eterna se estás perante o céu ou o inferno, e te manténs ali, no purgatório a tentar salvar as nossas almas perdidas, pecadoras e viciadas neste jogo imaculado, mas batoteiro.

20 abril, 2017

Entorna te


Fica. 
Consome cada milímetro do eterno. Sucumbe ás tentações que aprisionas, entorna te em ti. 
Em mim. 
Em nós. 
Liberta essa vontade de viver que tens sempre que em mim morres. 

19 abril, 2017

Declaração de Culpa


Sim pequei!
Prometi não sentir. Prometi que apenas a pele, o sangue que me corre nas veias iriam sentir a tua presença, iriam reagir à tua existência.
Sim cometi delito!
Roubei o que não é meu e transformei-o com as minhas mãos, moldei, fiz com que fosse o que inconscientemente desejava.
Sim destrui!
Derrubei os muros que me cercavam, demoli tudo o que se atravessou à minha frente até chegar até ti, até estar confortavelmente em ti.
Sim invadi!
Não bati à porta. Tirei a chave mestra do bolso, aquele que trago cosido junto ao peito, e sem ser convidada entrei, sentei me e fiquei a assistir à queda a pique dos dois, naquele abismo desejado mas temido.
Sim criei!
Criei uma coisa sem nome, mas que nos dá nome, que nos define. 

-me


Sabes-me
Sentes -me
Queres-me
Vicias-me
Invades-me
Hipnotizas-me
Elevas-me
Consomes-me
Saboreias-me
Preenches-me
Rendo-me
Entrego-me