03 maio, 2017

Chuva


"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir
São emoções que dão vida
À saudade que trago
Aquelas que tive contigo
E acabei por perder"

Jorge Fernando

Mestria


Promovi a tua apoteose momentânea, sentei te ao lado dos Deuses e bajulei a tua existência. 
No grau de mérito que ainda não defeni, és Dono e Senhor deste pedaço de templo a que chamo de corpo. 
A tua pele que toca a minha com a mestria de um pianista e me faz vibrar ao som de teclas tocadas num frenesim, na melodia do teu corpo sobre o meu. 
Aqui, neste fragmento de tempo em que te pertenço, o compasso da sinfonia transforma se na sintonia perfeita entre dois dois corpos que se querem, no pecado da gula partilhado, duas mentes arrebatadas pelo desejo inadiável. 

02 maio, 2017

Quis



Quis te como se precisa do ar que se respira. Inspirei de ti todas as palavras que não disseste, expirei de nós todos os gestos silenciados. E neste pedaço de tempo, perdido em datas e achado nas horas perdidas, quis te da forma mais nobre deste querer que assola a alma e alimenta o corpo. Quis te sem interrogações, mas cheia de exclamações. Vírgulas colocadas onde o corpo já exausto precisava da calma e da paz que a pausa me trazia à alma. 
Estrangulada em sentidos, sufocada em mim própria, quis te da única forma que sei querer, por inteiro, sem máscaras e reservas, sem tempo mas com todo o tempo que me resta. 

01 maio, 2017

Fim


Assim, de corpo em espasmos e delirante, te despedes da minha boca que te devorou, até à última e derradeira gota do cálice que quente me escorre nos lábios...

Beija me



Beija me com perguntas silenciadas e te responderei com as mãos que escorrem em ti, com os segredos que guardo nos meus lábios. Abraça me em perguntas e te responderei com a língua que descobre e explora a tua pele, aquela que dás a conhecer à minha. Toca me sem perguntas e te responderei com os dedos que se perdem nas mechas do teu cabelo, puxando te para perto do meu corpo que te chama em destemido êxtase. 
Guardas os segredos que te estrangulam naquele ponto ínfimo na tua nuca, naquele em que ofegante recebes a loucura que trago na boca. 

Na Ponta dos Dedos


As tuas mãos que deslizam sobre o meu corpo, sedento do teu. Consigo sentir a ânsia na ponta dos teus dedos, a urgência que te consome, urgência de me consumir. Os teus lábios que tocam delicadamente o meu pescoço, que me sussurram os quereres que trazes contigo. As tuas mãos que palmilham o meu ventre, descendo deliciosamente, quase enfurecidas pela tesão que partilhamos. Perco me entre os teus cabelos e as tuas costas, onde cravo as minhas unhas à medida que se torna insuportável suster um gemido que teima em sair.