05 maio, 2017

Completa


De corpo exausto pelo tormento da alma procuro te pelos resto de vida que vou colhendo do chão, os que deixei cair da última vez que aos teus pés me penitenciei na súplica pela tua permanência.
De alma em reboliço busco pelo aconchego do teu peito, pela paz dos teus dedos que se perdem no meu cabelo, pelos lábios cheios de nós que pousam em mim.
Naquela fracção de tempo em que o tempo não existe, naquele intervalo de vida em que a morte espreita, deixo me levar pela sabedoria do teu silêncio no meu. É ali, naquele espaço temporal só nosso que provo o sabor da palavra "completa". 

Plenitude



É a intensidade que vive em mim que transforma um minuto numa vida. Mas também é ela que me fará arrepender de dar tudo de mais a quem quer tudo de menos. 
Esta bússola de vida que me deixa tantas vezes sem norte, este presságio de catástrofe eminente, este vulcão em constante ebulição. 
É por ela que me oriento no caminho turbulento e desconhecido que desbravo,   sabendo que será sempre ela a causa da minha queda e da minha ascenção. 
Os comuns chamam lhe intensidade eu... chamo lhe plenitude.

04 maio, 2017

Demência


Alimento me desta doença que me assola o corpo, e me atinge a ferro e fogo a mente. Desfaço me em mil pedaços de mim mesma quando me sinto perto da tua pele, quando é o teu cheiro que inalo, quando é a tua energia que absorvo, mesmo que seja longa a estrada que nos separa. Como se a loucura se apodera se de mim, e os devaneios fossem proporcionais à minha demência, aquela que me arrebata quando em ti pouso os sentires por breves e escassos segundos de vida. Ali morro e ali renasço, entre o que digo e o que calo, entre o que sinto e nego, entre a razão de não te ter e a tua delirante presença. 

03 maio, 2017

Chuva


"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir
São emoções que dão vida
À saudade que trago
Aquelas que tive contigo
E acabei por perder"

Jorge Fernando

Mestria


Promovi a tua apoteose momentânea, sentei te ao lado dos Deuses e bajulei a tua existência. 
No grau de mérito que ainda não defeni, és Dono e Senhor deste pedaço de templo a que chamo de corpo. 
A tua pele que toca a minha com a mestria de um pianista e me faz vibrar ao som de teclas tocadas num frenesim, na melodia do teu corpo sobre o meu. 
Aqui, neste fragmento de tempo em que te pertenço, o compasso da sinfonia transforma se na sintonia perfeita entre dois dois corpos que se querem, no pecado da gula partilhado, duas mentes arrebatadas pelo desejo inadiável. 

02 maio, 2017

Quis



Quis te como se precisa do ar que se respira. Inspirei de ti todas as palavras que não disseste, expirei de nós todos os gestos silenciados. E neste pedaço de tempo, perdido em datas e achado nas horas perdidas, quis te da forma mais nobre deste querer que assola a alma e alimenta o corpo. Quis te sem interrogações, mas cheia de exclamações. Vírgulas colocadas onde o corpo já exausto precisava da calma e da paz que a pausa me trazia à alma. 
Estrangulada em sentidos, sufocada em mim própria, quis te da única forma que sei querer, por inteiro, sem máscaras e reservas, sem tempo mas com todo o tempo que me resta.