23 maio, 2017

Caçador


Quantas vezes o caçador não é a presa disfarçada?
Assim caminhas sorrateiramente atrás de mim... como um lobo faminto, rastejando pela estrada que armadilhei criteriosamente para a tua passagem. Nela cairás vezes sem conta, tropeçando na minha eterna negação, mas também é ali que te estenderei a mão e te levantarei pedaço a pedaço. Degustando vagarosamente as delícias que escondes, provando o teu corpo.
Banhados pela lua que nos guia, escondidos pelas sombras da nossa alma, assim caminharemos disfarçados, eu como presa e tu o eterno caçador de almas.

22 maio, 2017

Poder


Nesta cama, deitada, indefesa, presa ao teu poder, ao nosso desejo...
Sinto te. O teu olhar viola o meu sem que este o possa ver. A tua respiração perto da minha pele. Os teus dedos que me tocam levemente, fazendo me tremer, arrepiando cada recanto escondido deste templo que te pertence.
Velarás este corpo, contemplando o, entre rasgos de insanidade, sorrindo a cada pedido meu para que me presenteies com o teu corpo dentro do meu. Usarás o poder que te ofertei para me fazeres passar pelo purgatório, antes de me fazeres subir aos céus, onde me perderei nas trevas deste inesgotável veneno fervilhante que me plantaste nas veias. 

21 maio, 2017

Vida depois da Morte


Porque és Dono desta vontade. Senhor deste feitiço que me alimenta o corpo. Rei deste pedaço de carne, que tantas e tantas vezes quer o seu último suspiro eterno nos teus braços, como se fosse possível morrer naquele instante de loucura, em que a carne se descontrola e a mente fica em suspenso.
Como se a vida após aquela morte fosse suplicada em gemidos e pedidos de possessão. 

19 maio, 2017

Olho Te


Olho te profundamente na busca do prazer que recebo de ti quando prazer é a única coisa que os meus lábios te querem dar naquele instante de vida.
Penetras a minha alma com a oscilação da tua respiração ofegante, em gemidos ritmados que te aumentam a combustão, que me fazem aumentar a intensidade com que te sorvo, com que te tomo como meu. Eternizo na minha mente o momento em que me invades com o néctar da perdição, latejante entre os meus lábios. 

Primavera


Por mais espinhos que a vida te ofereça, por mais lágrimas que te faça derramar, por mais que elas te ardam na pele, por mais que querias largar a mão que te prende à vida... agarra te ao corpo que se abre em pétalas,  que te espera como a pétala espera a primavera para existir. Como o meu colo espera a imensidão da tua alma, como a minha alma anseia a tua existência. Nesta eterna primavera, que desabrocha a cada toque que nos transcende. 

De Mãos Dadas


Quando duas imperfeições se unem, quando duas almas perdidas em si mesmas se fundem, quando o palpável não passa de mero adereço, sabemos, que diante nós nasce a perfeição de alguma coisa sem nome, algo que nos define, aqui, neste espaço entre vidas.