26 maio, 2017

Fome


Saciarás deste corpo os desejos mais insanos que o teu grita.
Alimentarás esta fome de ti que me revira os sentires mais profundos e obscuros.
Pedirás que te sirva dos meus lábios o sabor da tesão que nos une.
Beberás de mim o mais doce dos nectares, matarei a minha sede no mais requintado cálice que o teu prazer absoluto me serve em doses de espasmos e gemidos descontrolados. 

24 maio, 2017

11 680 Dias


Foram e são 11 680 pedaços de mim dados ao Mundo. 11 680 dias de evolução, alguns de regressão ideológica.
Dos 11 680 dias que me trouxeram até aqui recordo alguns que me marcaram, alguns de forma positiva outros nem tanto, mas como diz o poeta " As coisas vulgares que há na vida Não deixam saudade Só as lembranças que doem Ou fazem sorrir". A saudade... essa palavra que atrocida os sentires, que consegue despedaçar os sonhos.
11 680 dias de esperança no amanhã.
11 680 dias de lágrimas que enchem rios, mas de sorrisos que transbordam oceanos.
11 680 dias de lições que ficam para sempre marcadas na alma, e algumas que fiz questão de tatuar na pele.
11 680 dias de mãos dadas a quem conseguiu de alguma forma contornar esta grande muralha da China que construí à minha volta.
11 680 dias de amor aos que caminham, com passos de bebé, ao meu lado. Sem medo dos meus tombos, porque serei eternamente uma criança a aprender a dar os seus primeiros passos, à medida das quedas aprende se a saber levantar.
11 680 dias, porque não comemoro anos, celebro vida, e essa acontece todos os dias!

23 maio, 2017

Somewhere Only We Know


Eu andei por uma terra vazia 
Conhecia o caminho como a palma da minha mão 
Senti a terra sob os meus pés 
Sentei me ao lado do rio e ele completou me
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar cansada e preciso de alguém para confiar 
Encontrei uma árvore caida 
Senti os seus ramos a olhar para mim 
É este o lugar que nós costumávamos amar? Este é o lugar com que eu tenho sonhado? 
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar velha e preciso de alguma coisa para confiar 
E se tiveres um minuto por que não vamos Conversar sobre isto num lugar que só nós conhecemos? 
Este pode ser o fim de tudo 
Então porque não vamos 
Para um lugar que só nós conhecemos? 
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar velha e preciso de alguma coisa para confiar 
Então diz me quando me vais deixar entrar Estou a ficar cansada e preciso de um lugar para começar 
E se tiveres um minuto por que não vamos Conversar sobre isto num lugar que só nós conhecemos? 
Pois este pode ser o fim de tudo 
Então porque não vamos 
Para um lugar que só nós conhecemos? 

Despires de Alma


Pediste que fosse Senhora de me despir das capas negras do tempo. Das enchentes de sorrisos que dou ao Mundo quando por dentro carregava o fardo das tempestades pelas quais ainda não me ultrapassei, que estão presentes em cada inspirar de vida.
Pediste me que fosse eu, aquele ser que poucos conhecem, e os que conhecem, podem apenas ver e ter uma parte. A cor negra que trago junto ao corpo é a definição exata da minha alma em súplicas por cores, por vida, embora as carregue todas em mim, adormecidas.
Mas poucos o vêem,  acham apenas uma forma de estilo, fútil, um assumir de modas,  de gostos.
Acedi ao teu pedido. A tua mão foi me estendida, como se estende a mão a uma criança prestes a cair, a minha queda estava eminente, como está todos os dias em que me agarro com toda a força que cultivo em mim, aos corrimões que esta estrada me vai pondo no caminho.
Curtos e pesados, assim foram os passos que dei, corajosos e majestosos despires de alma, acutilantes, alguns agonizantes.
As quedas do percurso não pilares de existência, que nos fazem rir das marcas um do outro, ali, sentados no chão que nos marca a pele e nos tatua as enfermidades mais banais mas que nos pertencem.
Partiste antes mesmo de chegarmos à meta onde a luz da superfície nos espreitava, reluzente em ânsias pelo encerrar de ciclos que nos consomem. Foste cedo demais. E eu, fui fraca demais por não te ter conseguido arrastar comigo, por não ter ido à fonte, à luz da meta para te trazer um pedaço de esperança. Para te trazer o oxigénio que precisas para olhar novamente para a vida.
Meu querido amigo, aprendi contigo que quando vivemos demasiado tempo no escuro, olhar a luz fere a vista.

Soma de Tudo


Sou uma soma de tudo, deste tudo dentro do nada que sou.
Fui esculpida pelos fantasmas que me atormentam e as sombras que caminham ao meu lado, pelo negro que trago a cobrir me a pele e a alma cheia de arco íris escondidos aos olhos dos que meramente me vêem.
Talhada a medos e ânsias, a recantos obscuros e lágrimas que queimam a pele. Talhada para o infinito, para o que não se vê, para o que está para além do palpável.
Nesta soma de tormentos, de inquietudes existe um Eu e existe Esta, personagem sem nome, que dou todos os dias ao Mundo.

Caçador


Quantas vezes o caçador não é a presa disfarçada?
Assim caminhas sorrateiramente atrás de mim... como um lobo faminto, rastejando pela estrada que armadilhei criteriosamente para a tua passagem. Nela cairás vezes sem conta, tropeçando na minha eterna negação, mas também é ali que te estenderei a mão e te levantarei pedaço a pedaço. Degustando vagarosamente as delícias que escondes, provando o teu corpo.
Banhados pela lua que nos guia, escondidos pelas sombras da nossa alma, assim caminharemos disfarçados, eu como presa e tu o eterno caçador de almas.