08 maio, 2017

Encontros


Mãos, pedaços de um corpo que penetram no meu. Violando este querer incontrolável que assola a minha mente em constante viagem pelo mundo que habita em ti. Que se misturam com a minha pele molhada pelo prazer de ter em mim. 
Em puro delírio apocalíptico o  meu corpo atinge o grau de suprema loucura, latejante, em espasmos ritmados e constantes, contorcendo se sobre mim própria deixando me sem saber o meu próprio nome. Aquele que trazes cravado, nesse corpo também ele perdido em tentações, e encontrado no momento, o nosso. 

07 maio, 2017

Atrocidades



Como golpes quase atrozes de prazer, infliges em mim o pecado insano da carne. Penetras cada recanto meu com doses exageradas de visões luxuriantes da nossa entrega, em que cada pedaço teu pertence a cada pedaço meu, num encaixe perfeito de dois corpos perdidos em desejos e achados em êxtase comum. 

06 maio, 2017

Escolhas


E de todos os sabores que o meu corpo já provou, eu escolheria o teu. De todas as mãos que no meu corpo já tocaram, eu escolheria as tuas. De todos os corpos que já me consumiram eu escolheria o teu. E de todos os lábios que já me sorveram, eu escolheria os teus.
E de todas as vezes que fomos singular no plural entre aquelas quatro paredes, fomos pertença um do outro.

05 maio, 2017

Completa


De corpo exausto pelo tormento da alma procuro te pelos resto de vida que vou colhendo do chão, os que deixei cair da última vez que aos teus pés me penitenciei na súplica pela tua permanência.
De alma em reboliço busco pelo aconchego do teu peito, pela paz dos teus dedos que se perdem no meu cabelo, pelos lábios cheios de nós que pousam em mim.
Naquela fracção de tempo em que o tempo não existe, naquele intervalo de vida em que a morte espreita, deixo me levar pela sabedoria do teu silêncio no meu. É ali, naquele espaço temporal só nosso que provo o sabor da palavra "completa". 

Plenitude



É a intensidade que vive em mim que transforma um minuto numa vida. Mas também é ela que me fará arrepender de dar tudo de mais a quem quer tudo de menos. 
Esta bússola de vida que me deixa tantas vezes sem norte, este presságio de catástrofe eminente, este vulcão em constante ebulição. 
É por ela que me oriento no caminho turbulento e desconhecido que desbravo,   sabendo que será sempre ela a causa da minha queda e da minha ascenção. 
Os comuns chamam lhe intensidade eu... chamo lhe plenitude.

04 maio, 2017

Demência


Alimento me desta doença que me assola o corpo, e me atinge a ferro e fogo a mente. Desfaço me em mil pedaços de mim mesma quando me sinto perto da tua pele, quando é o teu cheiro que inalo, quando é a tua energia que absorvo, mesmo que seja longa a estrada que nos separa. Como se a loucura se apodera se de mim, e os devaneios fossem proporcionais à minha demência, aquela que me arrebata quando em ti pouso os sentires por breves e escassos segundos de vida. Ali morro e ali renasço, entre o que digo e o que calo, entre o que sinto e nego, entre a razão de não te ter e a tua delirante presença.