23 abril, 2017

Trinta Segundos


A magia de dois lábios perdidos entre a imensidão do centímetro quadrado que ainda os separa. Aquele momento em que o silêncio é Rei e tudo o que se cala tende a gritar através do olhar que se troca. 
Nos corpos despidos de razão e abraçados ao vazio do nada, impera a tensão, o pré sente na antecipação sôfrega da união eminente.
Olhar que cativa e lábios que se atraem, neste jogo de sedução que dura toda uma vida encaixada numa fração de momento.
Magnetismo puro, queres em ascenção, alma corrompida pela entrega do corpo. Portas entreabertas violadas pela tentação e a decadência insana que transporta a eterna vontade.
Há uma quase demência que cabe nestes trinta segundos que se antecedem à tua chegada a mim. Algo que se sente e não se reproduz, algo que domina mas que liberta. 

22 abril, 2017

Querer sem querer


Vivo neste querer que não quero querer
No meio de quereres que quero controlar
E de tanto te querer digo que não quero
Mas sei que entre os nossos quereres nos vou encontrar

E quero te assim deste jeito
Que nem me atrevo a explicar
Num querer que não posso ter
Porque quero mas vou sempre negar

Sei que me queres nas entrelinhas
Dos teus quereres por decifrar
Mas de tanto me quereres
Acabarás, ali mesmo, por nos encontrar 

Em estado Catatónico


Deambulo me por este chão onde firmo os meus pés, o mesmo que me levita o corpo, em puro estado catatónico.
Passiva nas minhas não ações, imóvel entre olhares que me cruzam e nada me despertam. A inércia apoderou se do meu corpo, outrora consumido pela exuberância do teu existir.
Sinto te ao longe. Consigo inalar o cheiro que emana do teu corpo. A minha pele sente o conforto do teu toque. Mas ainda assim, estás ali, ao longe, onde a minha mão não te consegue alcançar.
Todo o meu corpo reage á luxúria que a tua memória me trás, invadido por uma onda de choque que me desperta e vulcaniza de imediato.
Neste estado apocalíptico, as pernas trémulas cedem. Aqui me tens, inerte, em estado puro, despida de tudo o que nos ultrapassa, rendida de joelhos aos teus pés. 

Escondido


As coisas que escondemos nas catacumbas do coração, comem nos vivos.
Somos os arquitectos da nossa própria destruição. 

21 abril, 2017

Purgatório


És vício. És pecado. És meu.
És vício quando já nada me satisfaz tanto quanto o teu nome a preencher me os lábios.
És pecado quando é no teu corpo sob o meu que nasce e morre a palavra sagrada que nos une em total e divino nirvana.
És meu sempre que te esqueces das horas e as deixas livremente vaguear sobre nós em memórias antecipadas na dúvida eterna se estás perante o céu ou o inferno, e te manténs ali, no purgatório a tentar salvar as nossas almas perdidas, pecadoras e viciadas neste jogo imaculado, mas batoteiro.

20 abril, 2017

Entorna te


Fica. 
Consome cada milímetro do eterno. Sucumbe ás tentações que aprisionas, entorna te em ti. 
Em mim. 
Em nós. 
Liberta essa vontade de viver que tens sempre que em mim morres.