27 maio, 2017

Escravidão


Pele que se dissolve na demência dos desejos, na relutância das palavras não ditas, mas sentidas até ao esgotar de todas as letras. Sons emitidos entre lábios que se pressionam na tentativa de omitir em si o grito do prazer descontrolado.
Derreto me em flashes delirantes das tuas mãos que se perdem em mim, esculpindo detalhadamente os porquês da nossa existência neste espaço temporal. 
O teu corpo como solo árido, envolto agora em fertilidade quando o meu magnetismo te atrai os sentidos. Quando os meu sentidos mergulham involuntariamente nos teus.
Neste entrelaçar impetuoso de quereres inadiáveis, presos ao aqui e agora. Ao que se quer urgente. Ao que se quer já. 
Escravos da necessidade da fusão dos corpos.

26 maio, 2017

Fome


Saciarás deste corpo os desejos mais insanos que o teu grita.
Alimentarás esta fome de ti que me revira os sentires mais profundos e obscuros.
Pedirás que te sirva dos meus lábios o sabor da tesão que nos une.
Beberás de mim o mais doce dos nectares, matarei a minha sede no mais requintado cálice que o teu prazer absoluto me serve em doses de espasmos e gemidos descontrolados. 

24 maio, 2017

11 680 Dias


Foram e são 11 680 pedaços de mim dados ao Mundo. 11 680 dias de evolução, alguns de regressão ideológica.
Dos 11 680 dias que me trouxeram até aqui recordo alguns que me marcaram, alguns de forma positiva outros nem tanto, mas como diz o poeta " As coisas vulgares que há na vida Não deixam saudade Só as lembranças que doem Ou fazem sorrir". A saudade... essa palavra que atrocida os sentires, que consegue despedaçar os sonhos.
11 680 dias de esperança no amanhã.
11 680 dias de lágrimas que enchem rios, mas de sorrisos que transbordam oceanos.
11 680 dias de lições que ficam para sempre marcadas na alma, e algumas que fiz questão de tatuar na pele.
11 680 dias de mãos dadas a quem conseguiu de alguma forma contornar esta grande muralha da China que construí à minha volta.
11 680 dias de amor aos que caminham, com passos de bebé, ao meu lado. Sem medo dos meus tombos, porque serei eternamente uma criança a aprender a dar os seus primeiros passos, à medida das quedas aprende se a saber levantar.
11 680 dias, porque não comemoro anos, celebro vida, e essa acontece todos os dias!

23 maio, 2017

Somewhere Only We Know


Eu andei por uma terra vazia 
Conhecia o caminho como a palma da minha mão 
Senti a terra sob os meus pés 
Sentei me ao lado do rio e ele completou me
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar cansada e preciso de alguém para confiar 
Encontrei uma árvore caida 
Senti os seus ramos a olhar para mim 
É este o lugar que nós costumávamos amar? Este é o lugar com que eu tenho sonhado? 
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar velha e preciso de alguma coisa para confiar 
E se tiveres um minuto por que não vamos Conversar sobre isto num lugar que só nós conhecemos? 
Este pode ser o fim de tudo 
Então porque não vamos 
Para um lugar que só nós conhecemos? 
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar velha e preciso de alguma coisa para confiar 
Então diz me quando me vais deixar entrar Estou a ficar cansada e preciso de um lugar para começar 
E se tiveres um minuto por que não vamos Conversar sobre isto num lugar que só nós conhecemos? 
Pois este pode ser o fim de tudo 
Então porque não vamos 
Para um lugar que só nós conhecemos? 

Despires de Alma


Pediste que fosse Senhora de me despir das capas negras do tempo. Das enchentes de sorrisos que dou ao Mundo quando por dentro carregava o fardo das tempestades pelas quais ainda não me ultrapassei, que estão presentes em cada inspirar de vida.
Pediste me que fosse eu, aquele ser que poucos conhecem, e os que conhecem, podem apenas ver e ter uma parte. A cor negra que trago junto ao corpo é a definição exata da minha alma em súplicas por cores, por vida, embora as carregue todas em mim, adormecidas.
Mas poucos o vêem,  acham apenas uma forma de estilo, fútil, um assumir de modas,  de gostos.
Acedi ao teu pedido. A tua mão foi me estendida, como se estende a mão a uma criança prestes a cair, a minha queda estava eminente, como está todos os dias em que me agarro com toda a força que cultivo em mim, aos corrimões que esta estrada me vai pondo no caminho.
Curtos e pesados, assim foram os passos que dei, corajosos e majestosos despires de alma, acutilantes, alguns agonizantes.
As quedas do percurso não pilares de existência, que nos fazem rir das marcas um do outro, ali, sentados no chão que nos marca a pele e nos tatua as enfermidades mais banais mas que nos pertencem.
Partiste antes mesmo de chegarmos à meta onde a luz da superfície nos espreitava, reluzente em ânsias pelo encerrar de ciclos que nos consomem. Foste cedo demais. E eu, fui fraca demais por não te ter conseguido arrastar comigo, por não ter ido à fonte, à luz da meta para te trazer um pedaço de esperança. Para te trazer o oxigénio que precisas para olhar novamente para a vida.
Meu querido amigo, aprendi contigo que quando vivemos demasiado tempo no escuro, olhar a luz fere a vista.