21 setembro, 2017

Reflexos



Reflectido no espelho estão agora as linhas dos nossos corpos. Sinto o teu respirar já ofegante com toques subtis da tua língua a deslizar pelo meu pescoço. 
As tuas mãos perdem se entre o meu decote, agarrando com firmeza um corpo que imploras ao meu ouvido, entre gemidos sussurrados. 
Sinto te crescer colado às minhas costas, não resisto a deixar que a minha mão, sorrateiramente, vá ao seu encontro, deixando o preso entre os meus dedos, carregados de desejo. As tuas mãos apertam as minhas ancas e num toque que se quis brusco, arrebatador e cru, puxas me contra o teu corpo, fazendo adivinhar que será ali que me irás possuir.
Sinto te aqui, refletido no espelho, mesmo atrás de mim, com a fome a jorrar te pelos poros, com o desejo cravado na pele. 

07 junho, 2017

Espera


Ouço os teus passos a virem ao encontro do meu desejo, estremeço a cada passada forte e segura que ecoa no quarto. Espero te ali, mergulhada na espera do inevitável, afogando me em delírios que criteriosamente fizeste crescer na minha mente.
Sinto a tua respiração perto deste corpo que reage ao doce compasso que a espera tem em mim, reage à pausa que propositadamente fazes antes da tua pele se apoderar da minha. Antes que faças tua esta minha carne que dominas.
Antes de te entregar por momentos a minha liberdade para que me tomes e me leves pelos mais loucos caminhos da perdição.

02 junho, 2017

Tu


A diferença entre ti e o Mundo está nas coisas mais simples e ao mesmo tempo as mais imprescindíveis. 
Está na forma como os teus abraços são aconchego e não são braços que apertam.
É a forma como a tua energia magnetiza o meu corpo, a forma como a tua alma me vê, como os teus olhos me penetram, como as tuas mãos me incendeiam.
Está na forma como o teu corpo encaixa no meu, mas principalmente como a tua aura encaixa na minha. 
Está na harmonia do beijo, na tranquilidade das mãos dadas. Está nas palavras que dizes e ainda mais nas que calas.
É na subtileza do sentimento assim como no furacão dos sentires.
Está na forma como és, e não na forma como te vês. 

01 junho, 2017

Porque aqui tudo é permitido!




Sim, aqui há espaço para tudo, até para estas temáticas mais sérias. 
Questiono me onde nos perdemos, onde foi a nossa humanidade, porque só a usamos como adjectivo daquilo que um dia fomos. 
Ou será que nunca fomos? Será apenas privilégio de alguns? 
Hoje é dia de pensar nos milhões de crianças, que não o podem ser, mesmo sendo hoje o dia delas.
Aquelas que o destino quis que nascessem num país que não olha para elas, aquelas que hoje não tiveram uma refeição idêntica sequer à tua, aquelas que hoje não terão carinho da mãe ou do pai, aquelas que não têm uma família, aquelas que até podiam ter tudo mas que ficaram sem nada violentamente, aquelas que mesmo sem nada, são tudo!
Das crianças que não brincam como o meu filho, nem como o teu, porque não lhes é permitido. Hoje é dia de olhar para o lado e agradecer ter nascido com direitos, dignidade, igualdade, prosperidade. 
Os seres maravilhosos, únicos, especiais cheios de força e vida, puros e sensitivos que hoje vemos serão o nosso espelho amanhã. Que estejamos à altura de olhar no espelho e que a imagem do futuro seja límpida! 
Que deixemos de ensinar o ter para fomentar o ser. Que não as contaminemos com princípios deturpados, com ideais sociais deploráveis em que o palpável, a matéria é Rainha e Senhora em detrimento do que realmente é de verdade.
Feliz Dia da Criança, para "aquelas" porque os nossos podem sê lo todos os dias.

"Que quem já é pecador...
Sofra tormentos...enfim!
Mas as crianças Senhor...
Porque lhes dais tanta dor?
Porque padecem assim?"

Augusto Gil

30 maio, 2017

Vem


Vem (te) comigo,  para mim, em mim, até sem mim. Vem (te) com tudo, em tudo, mas sobretudo vem.
O importante é vires...

27 maio, 2017

Escravidão


Pele que se dissolve na demência dos desejos, na relutância das palavras não ditas, mas sentidas até ao esgotar de todas as letras. Sons emitidos entre lábios que se pressionam na tentativa de omitir em si o grito do prazer descontrolado.
Derreto me em flashes delirantes das tuas mãos que se perdem em mim, esculpindo detalhadamente os porquês da nossa existência neste espaço temporal. 
O teu corpo como solo árido, envolto agora em fertilidade quando o meu magnetismo te atrai os sentidos. Quando os meu sentidos mergulham involuntariamente nos teus.
Neste entrelaçar impetuoso de quereres inadiáveis, presos ao aqui e agora. Ao que se quer urgente. Ao que se quer já. 
Escravos da necessidade da fusão dos corpos.

26 maio, 2017

Fome


Saciarás deste corpo os desejos mais insanos que o teu grita.
Alimentarás esta fome de ti que me revira os sentires mais profundos e obscuros.
Pedirás que te sirva dos meus lábios o sabor da tesão que nos une.
Beberás de mim o mais doce dos nectares, matarei a minha sede no mais requintado cálice que o teu prazer absoluto me serve em doses de espasmos e gemidos descontrolados. 

24 maio, 2017

11 680 Dias


Foram e são 11 680 pedaços de mim dados ao Mundo. 11 680 dias de evolução, alguns de regressão ideológica.
Dos 11 680 dias que me trouxeram até aqui recordo alguns que me marcaram, alguns de forma positiva outros nem tanto, mas como diz o poeta " As coisas vulgares que há na vida Não deixam saudade Só as lembranças que doem Ou fazem sorrir". A saudade... essa palavra que atrocida os sentires, que consegue despedaçar os sonhos.
11 680 dias de esperança no amanhã.
11 680 dias de lágrimas que enchem rios, mas de sorrisos que transbordam oceanos.
11 680 dias de lições que ficam para sempre marcadas na alma, e algumas que fiz questão de tatuar na pele.
11 680 dias de mãos dadas a quem conseguiu de alguma forma contornar esta grande muralha da China que construí à minha volta.
11 680 dias de amor aos que caminham, com passos de bebé, ao meu lado. Sem medo dos meus tombos, porque serei eternamente uma criança a aprender a dar os seus primeiros passos, à medida das quedas aprende se a saber levantar.
11 680 dias, porque não comemoro anos, celebro vida, e essa acontece todos os dias!

23 maio, 2017

Somewhere Only We Know


Eu andei por uma terra vazia 
Conhecia o caminho como a palma da minha mão 
Senti a terra sob os meus pés 
Sentei me ao lado do rio e ele completou me
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar cansada e preciso de alguém para confiar 
Encontrei uma árvore caida 
Senti os seus ramos a olhar para mim 
É este o lugar que nós costumávamos amar? Este é o lugar com que eu tenho sonhado? 
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar velha e preciso de alguma coisa para confiar 
E se tiveres um minuto por que não vamos Conversar sobre isto num lugar que só nós conhecemos? 
Este pode ser o fim de tudo 
Então porque não vamos 
Para um lugar que só nós conhecemos? 
Oh coisa simples, para onde foste? 
Estou a ficar velha e preciso de alguma coisa para confiar 
Então diz me quando me vais deixar entrar Estou a ficar cansada e preciso de um lugar para começar 
E se tiveres um minuto por que não vamos Conversar sobre isto num lugar que só nós conhecemos? 
Pois este pode ser o fim de tudo 
Então porque não vamos 
Para um lugar que só nós conhecemos? 

Despires de Alma


Pediste que fosse Senhora de me despir das capas negras do tempo. Das enchentes de sorrisos que dou ao Mundo quando por dentro carregava o fardo das tempestades pelas quais ainda não me ultrapassei, que estão presentes em cada inspirar de vida.
Pediste me que fosse eu, aquele ser que poucos conhecem, e os que conhecem, podem apenas ver e ter uma parte. A cor negra que trago junto ao corpo é a definição exata da minha alma em súplicas por cores, por vida, embora as carregue todas em mim, adormecidas.
Mas poucos o vêem,  acham apenas uma forma de estilo, fútil, um assumir de modas,  de gostos.
Acedi ao teu pedido. A tua mão foi me estendida, como se estende a mão a uma criança prestes a cair, a minha queda estava eminente, como está todos os dias em que me agarro com toda a força que cultivo em mim, aos corrimões que esta estrada me vai pondo no caminho.
Curtos e pesados, assim foram os passos que dei, corajosos e majestosos despires de alma, acutilantes, alguns agonizantes.
As quedas do percurso não pilares de existência, que nos fazem rir das marcas um do outro, ali, sentados no chão que nos marca a pele e nos tatua as enfermidades mais banais mas que nos pertencem.
Partiste antes mesmo de chegarmos à meta onde a luz da superfície nos espreitava, reluzente em ânsias pelo encerrar de ciclos que nos consomem. Foste cedo demais. E eu, fui fraca demais por não te ter conseguido arrastar comigo, por não ter ido à fonte, à luz da meta para te trazer um pedaço de esperança. Para te trazer o oxigénio que precisas para olhar novamente para a vida.
Meu querido amigo, aprendi contigo que quando vivemos demasiado tempo no escuro, olhar a luz fere a vista.

Soma de Tudo


Sou uma soma de tudo, deste tudo dentro do nada que sou.
Fui esculpida pelos fantasmas que me atormentam e as sombras que caminham ao meu lado, pelo negro que trago a cobrir me a pele e a alma cheia de arco íris escondidos aos olhos dos que meramente me vêem.
Talhada a medos e ânsias, a recantos obscuros e lágrimas que queimam a pele. Talhada para o infinito, para o que não se vê, para o que está para além do palpável.
Nesta soma de tormentos, de inquietudes existe um Eu e existe Esta, personagem sem nome, que dou todos os dias ao Mundo.

Caçador


Quantas vezes o caçador não é a presa disfarçada?
Assim caminhas sorrateiramente atrás de mim... como um lobo faminto, rastejando pela estrada que armadilhei criteriosamente para a tua passagem. Nela cairás vezes sem conta, tropeçando na minha eterna negação, mas também é ali que te estenderei a mão e te levantarei pedaço a pedaço. Degustando vagarosamente as delícias que escondes, provando o teu corpo.
Banhados pela lua que nos guia, escondidos pelas sombras da nossa alma, assim caminharemos disfarçados, eu como presa e tu o eterno caçador de almas.

22 maio, 2017

Poder


Nesta cama, deitada, indefesa, presa ao teu poder, ao nosso desejo...
Sinto te. O teu olhar viola o meu sem que este o possa ver. A tua respiração perto da minha pele. Os teus dedos que me tocam levemente, fazendo me tremer, arrepiando cada recanto escondido deste templo que te pertence.
Velarás este corpo, contemplando o, entre rasgos de insanidade, sorrindo a cada pedido meu para que me presenteies com o teu corpo dentro do meu. Usarás o poder que te ofertei para me fazeres passar pelo purgatório, antes de me fazeres subir aos céus, onde me perderei nas trevas deste inesgotável veneno fervilhante que me plantaste nas veias. 

21 maio, 2017

Vida depois da Morte


Porque és Dono desta vontade. Senhor deste feitiço que me alimenta o corpo. Rei deste pedaço de carne, que tantas e tantas vezes quer o seu último suspiro eterno nos teus braços, como se fosse possível morrer naquele instante de loucura, em que a carne se descontrola e a mente fica em suspenso.
Como se a vida após aquela morte fosse suplicada em gemidos e pedidos de possessão. 

19 maio, 2017

Olho Te


Olho te profundamente na busca do prazer que recebo de ti quando prazer é a única coisa que os meus lábios te querem dar naquele instante de vida.
Penetras a minha alma com a oscilação da tua respiração ofegante, em gemidos ritmados que te aumentam a combustão, que me fazem aumentar a intensidade com que te sorvo, com que te tomo como meu. Eternizo na minha mente o momento em que me invades com o néctar da perdição, latejante entre os meus lábios. 

Primavera


Por mais espinhos que a vida te ofereça, por mais lágrimas que te faça derramar, por mais que elas te ardam na pele, por mais que querias largar a mão que te prende à vida... agarra te ao corpo que se abre em pétalas,  que te espera como a pétala espera a primavera para existir. Como o meu colo espera a imensidão da tua alma, como a minha alma anseia a tua existência. Nesta eterna primavera, que desabrocha a cada toque que nos transcende. 

De Mãos Dadas


Quando duas imperfeições se unem, quando duas almas perdidas em si mesmas se fundem, quando o palpável não passa de mero adereço, sabemos, que diante nós nasce a perfeição de alguma coisa sem nome, algo que nos define, aqui, neste espaço entre vidas.

18 maio, 2017

Câmara Ardente


"Quero-te em câmara ardente
E conhecer o teu destino
Decidi-lo e perpetuá-lo
Realizá-lo antes de ti

Quero as sombras do passado
Aclarear em fogo ardente
Chorar-te e perder-te
Lembrá-lo quando o vivi

Encontrar a tua carne
O sabor do nosso leito
Ler na tua pele palavras
Que sorvo e seco em memórias

Aquecer o meu corpo
Na forja que é meu desejo

Não me enganas com o cheiro a mortulho
Teu corpo é quente o sangue fervilha-te nas veias"

Bizarra Locomotiva

17 maio, 2017

Perpetuada


Perpétuo me no teu corpo em chamas, quando a minha pele te afaga o desejo, pulsante e hirto num rasgo de hipnose momentânea que se eterniza no tempo.